RETIFICAÇÕES NECESSÁRIAS, por Bráulio Mantovani
A revista SET publicou na edição de outubro de 2008 uma entrevista minha (pág. 55) que precisa de retificações. Foi uma entrevista mais ou menos longa, feita por telefone. É normal que nesse tipo de entrevista as palavras impressas na página não representem exatamente a fala do entrevistado. Principalmente -- e sei que foi esse o caso -- quando jornalistas e editores se vêem obrigados a editar o texto com urgência devido à pressão do fechamento.
Fui jornalista e sei como é fácil cometer erros no fechamento. Portanto, não vai aqui nenhum tipo de reclamação nem de recriminação ao jornalista que me entrevistou. Apenas, dois esclarecimentos importantes:
1) Na pergunta “E Hollywood?”, há um erro de informação na minha resposta. O filme que escrevi para a Universal baseado em um artigo publicado pela Esquire não é sobre a invasão de uma escola chechena. O roteiro conta o famoso ataque de rebeldes chechenos a uma escola da cidade de Beslan, na Osséssia, em 2004.
2) Na pergunta anterior -- “E como você os escolhe?” -- a pressa do fechamento teve uma conseqüência mais séria. No final da minha resposta lê-se: “Por isso, fica parecendo que sou o ‘único roteirista brasileiro’. Mas isso não é verdade”.
Não é verdade mesmo. Nunca considerei que existe a impressão de que eu seja o único roteirista do país e jamais usei essa expressão. O jornalista que me entrevistou foi quem usou o termo “único roteirista brasileiro” na pergunta que me fez. Ele inclusive disse que estava obrigado a fazer aquela pergunta mesmo sem concordar com a idéia dela. Não me lembro exatamente do enunciado, mas foi algo mais ou menos assim: “O que você acha de ser o único roteirista brasileiro?”.
Também não me lembro exatamente das palavras que usei em minha resposta, mas tenho certeza de que foi algo mais ou menos assim: “Isso é uma besteira. Eu não sou o único roteirista brasileiro. Somos muitos, e há muitos que são excelentes profissionais”.
Não gosto de falsa modéstia. Sei que sou um dos melhores e mais bem-sucedidos roteiristas brasileiros. Mas não sou de maneira nenhuma o único e estou longe de ser o mais bem-sucedido. Se por um lado fui indicado ao Oscar, por outro tenho colegas que fizeram muito mais público do que eu. Victor Navas e Fernando Bonassi escreveram “Carandiru” e “Cazuza”, dois filmes que superaram a bilheteria de “Cidade de Deus” (meu recorde). Carolina Kotscho e Patrícia Andrade escreveram “2 Filhos de Francisco”, um filme cujo sucesso de público dispensa comentários.
Antes mesmo de “Cidade de Deus”, outros roteiristas escreveram filmes que estão associados a momentos fundamentais na história recente do cinema brasileiro. Melanie Dimantas é co-autora de “Carlota Joaquina”, filme que deu a grande virada de público que marcou o início da chamada retomada do cinema nacional. E Marcos Bernstein e João Emanoel Carneiro escreveram “Central do Brasil”, filme que, de certa forma, reinseriu a nossa produção no panorama do cinema mundial.
Na TV, Elena Soarez escreveu, na minha opinião, uma das maiores obras de teledramaturgia brasileira: “Filhos do Carnaval”. Há muitos outros que poderia citar. Mas acho que esses já bastam para deixar claro que, felizmente -- para o público e para a nossa indústria do audiovisual --, estou muito bem acompanhado.
Escrito por Autores de Cinema às 12h44
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